sábado, 30 de abril de 2011

Tamar

DUAS VEZES NÃO SE FAZ (Hermano José)


Não se faz o mundo duas vezes:
Duas vezes a Lua.
Duas vezes o Mar.

Não se faz duas vezes;
A inclinação do Cruzeiro do Sul,
A rotação diversas dos Astros
A luz solar riscando madrugadas,
Crepúsculos incendiados
Para o sono dos pássaros.

Duas vezes não se fará:
O rumor das ondas
Por cima de caranguejos translúcidos.
Chuvas tropicais
Resvalando em rios caudalosos,
Pororocas noturnas,
Revolvendo assombrações
Mas, se fará:
Negras espumas de óleo subterrâneos
Nuvens asfixiantes em horas imprevisíveis,
Mortos mares naufragados em detritos,
Desertos de verdes calcinados,
Terra desfigurada de pólo a pólo.
Terra inútil
Túmulo rejeitado
De fracasso humano.



reticências...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

por todos os "Três"

Arte de Adalberto Luís.




É interessante ser autor e ao mesmo tempo ter a oportunidade de ser o diretor da própria obra.Hoje, fazendo o ultimo tratamento do teste de elenco, para um ator e uma atríz, de cenas que criei para não ultilizar o roteiro original, me fizeram ir mais dentro no universo dos personagens. O nome do curta-metragem será "Três".
Certas sensações que achamos tão nossas acabam inchadas no profundo psicologico dos personagens. Haverá de mim destes seres que serão uma história de cinema? Sempre haverá, em tudo.


"Três" (ou "Cartas de João")



Ela vive perto de um vulcão
e sabe o quanto é difícil esperar
não vem
esperar o final das estações.

O desespero gerou a ultima dose
de ópio, da dor dela
nem imagina o quanto
eram teus meus carnavais.

Estivera ao ar livre sentado diante de todos os portos
em todos eles pudera ter, voltar e partir
já não posso
não há passagens entre nossos verões
mataram em ti o resto da força que eu tivera

Será que vai voltar e desistir daquelas
tantas obrigações que fizera
ela partir sem questionar
o valor do conteúdo profundo de minhas cartas 
a ultima decidi não enviar...

Não houve tempo de sentir o peito apertado
cartas minhas durante todo o percurso
e mais adiante deles
me pedes para que seja livre.



ass. João.


(por Thomas Freitas)

domingo, 17 de abril de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Epitáfio


Canção de Aruanda (ou Para um amigo que se foi)



Vida que voa
vai pra longe destes causos
recebidos e entregues

Planícies, cidades, crianças e verdades

Os sorrisos, as noites e as puias
na terra natal, sua ainda
passageiro das guias
fortalecendo as sete cidades.

Renasceu em tua filha linda

O velhinho de aruanda te receberá
com todo o merecimento de tua prece serena
muitos nos terrenos estarão confusos
saudade e presente
se estenderá...

Força a chama que se estende
a outras gerações
dimensões
nunca vazias
cada vez mais expandidas nas canções
eternas
que vez por outra me farão lembrar de teu coração
amigo

no fim da festa fostes me buscar
eu com tanto medo
você sendo meu irmão foi lá pra me chamar
refletido anos depois em meus sonhos.

luz e poesia
serão sempre os reflexos de tua lembraça...

Thomas Freitas


Dedicado a Romualdo Lucena. Irmão desencarnado hoje.

Saravá Oxalá

terça-feira, 15 de março de 2011

raízes, pétalas e espinhos

Dizer




O que se sente é...
dizer?
Pudera ser sentir.
Absolutamente.

Prata e lume
vernáculos
do espelho retroativo
lá onde está
os anéis da perdição

Para a flor direi de tudo
a luz violeta
o incadear do sol
estrelas que se espatifam no azul
vergonha de não ser mestre

das palavras, da coragem...
sentir.

Caminho se faz no dia a dia
no perigo, no cheiro de alfazema
que cruzam os caminhos
das cruzes
armadas para nos fazer irmãos

molecagem minha
sua
nunca.
na nuca
todos os dias.

(...)