sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Epílogo?

Notas sobre o silêncio


Muitas vezes no limiar de todas as manifestações de sentido
Se esconde o silêncio
Ele quem fala e nos diz
Sim e não
As vezes quiçá

Quantas verdades o silêncio ocupa
E quanta culpa o silêncio guarda em existir
São tantos mares de águas profundas que carregam proas de barcos
A rumos sem fio de uma matéria que vive longe
Neste pranto de preguiça de chorar

De noite o vazio incomoda
O silêncio também fala
Diz todas as coisas que queremos dizer
Por não dizer
Por ser ausência
Não ser resposta

Silêncio que ama
Fere
Perdoa
Esquece
Engana
Empobrece
Te joga na cama
Enobrece
E voa por ares calmos

Diga silêncio alguma coisa!
Vamos!
Você que chega assim todo sem nada
Se escondedo atrás deste espelho de margens arcaicas
Dramatizando tudo isso que incomoda e meche nas entranhas
De um figura única que converge em teus albuns de fotografias


E lá estou eu
Rindo por dentro
Pensanso e dizendo
Falando com palavras de gestos e olhares
Dizendo por sorrisos que se escondem entre os lábios
Marcas deste dialogo intenso entre mim e eu mesmo
Tantas pessoas num só homem de pedra
Pedra...
Destas que alguns fazem aquários

Oh! Magnifico silêncio
Tu és rebelde como flecha que não acerta o alvo
Planta que não fecha os olhos pra dormir
Bicho que não abre a boca pra comer
Grãos de trigos enfiados nessa cama de tecer

Mas tu dizes silêncio
Dizes
E são nestas palavras mudas
Que habitam todos os caminhos...


Tom Freitas

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