domingo, 18 de abril de 2010

Receita de andar sem rumo

O vento como guia,
suba montanha acima,
siga a música do rio
pedra por pedra,
dia por dia.


Perca o rumo e o fio,
deixe que o coração
cante as horas
e arrume a noite e o sol


Roseana Murray

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Linha de Passe




Trailer do filme "Linha de Passe"

Direção: Daniela Thomas e Walter Salles

Esse filme é de uma sensibilidade incrível. O perfil psico-social de uma familia pobre de São Paulo. Vale a pena assistir neste fim de semana. Aí vai a dica.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Palavras emprestadas


Um ponto



O avesso da palavra
é o silêncio.
E neste,
o sentimento é posto em chamas,
e queima
[preso]
pelo lado avesso do corpo.

Uma gota de serpentina
[estática]
pousou sob a língua
na esperança de que o centeio
lança-se luz para a vida.

No avesso da palavra
os sentidos abrem as paixões
que germinam o egoísta fruto do pecado.
Mas por respeito à liberdade
tem-se na boca um suspiro
[calado].

O zelo pelo outro cai como lágrimas,
que por verdade,
deveriam secas.

Não querendo na vida
ser personagem de romance ou conto,
é no avesso do silêncio
que a palavra reclama um
[ponto].

do poeta George Ardilles
Publicado no livro:
POEMAS DE MEIO-FIO

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Alessandra Leão





Alessandra Leão é percussionista, compositora e cantora. Iniciou sua carreira em 1997 com o grupo Comadre Fulozinha e atuou ao lado de músicos como Antônio Carlos Nóbrega, Siba, Silvério Pessoa, Zé Neguinho do Coco, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina), entre outros. Compôs em parceria com: Caçapa, Juliano Holanda, Chico César e Kiko Dinucci.
Em 2006, Alessandra deu início ao seu trabalho autoral, com o elogiado Brinquedo de Tambor. Produzido e arranjado em parceria com o violeiro, compositor e arranjador Caçapa. O CD “Brinquedo de Tambor” entrou para a lista dos 10 melhores discos de 2006 do Prêmio Uirapuru, da revista gaúcha “O Dilúvio”; e em janeiro de 2008 teve duas músicas recomendadas no playlist do músico americano David Byrne. Em 2007, foi uma das selecionadas no Programa Rumos Itaú Cultural, na cartilha Mapeamento.
O projeto para o segundo CD solo, “Dois Cordões”, foi selecionado no Programa Petrobras Cultural e patrocinado pela Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Produzido e arranjado por Caçapa e lançado em 2009, “Dois Cordões” conta com as participações de: Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), Kiko Dinucci, Florencia Bernales (Argentina) e Victoria Sur (Colômbia).
Desde 2004, idealizou e coordena o projeto coletivo Folia de Santo, que se propõe a compor músicas baseadas nas tradições ligadas ao “catolicismo popular”. O CD homônimo foi lançado em dezembro de 2008, durante as gravações do DVD do projeto.
Participou do Projeto Era Iluminada – Mangue Beat (Sesc Pompéia -SP), ao lado de nomes como Jorge Du Peixe, Siba, Dengue, Canibal, Júnio Barreto, Lia de Itamaracá, entre outros.

domingo, 11 de abril de 2010

Graveola e o Lixo Polifônico




Graveola e o lixo polifônico é um bom exemplo da mistura refinada que constitui a música brasileira. Irreverentes e atrevidos, múltiplos e desajeitados, seu trabalho é uma oficina de experimentação, uma caixa de possibilidades poético-sonoras. São improvisadores capengas, falsários poliformes: tudo é referência na colagem musical onde descontrole e acaso vêm à tona e gritam por espaço. É a estética do plágio, o humor levado a sério. Reciclar o lixo, misturar o fino e o grosso a ponto de torná-los indistinguíveis.

Do sotaque refinado do samba e da MPB ao amaldiçoado kitsch do axé e do sertanejo, o lixo polifônico sequestra a legibilidade vomitada do pop e incorpora tudo ou qualquer coisa como ferramenta sonora. Do lirismo ao escracho, os sentidos multiplicados, ou a total falta de sentido. Pianolas e apitos de brinquedo, utensílios domésticos: a idéia é deglutir e incorporar a tudo e a todos sem distinções. Implosão de rótulos, aproximações insólitas, absorções irresponsáveis: é a fertilidade do lixo “em que se plantando, tudo dá”.