quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"... o mundo é que é o meu lugar..."

Com a perna no mundo
Gonzaguinha



Acreditava na vida

Na alegria de ser
Nas coisas do coração
Nas mãos um muito fazer


Sentava bem lá no alto
Pivete olhando a cidade
Sentindo o cheiro do asfalto
Desceu por necessidade


O Dina
Teu menino desceu o São Carlos
Pegou um sonho e partiu
Pensava que era um guerreiro
Com terras e gente a conquistar
Havia um fogo em seus olhos
Um fogo de não se apagar


Diz lá pra Dina que eu volto
Que seu guri não fugiu
Só quis saber como é
Qual é
Perna no mundo sumiu


E hoje
Depois de tantas batalhas
A lama dos sapatos
É a medalha
Que ele tem pra mostrar

Passado
É um pé no chão e um sabiá
Presente
É a porta aberta
E futuro é o que virá, mas, e daí?


ô ô ô e á
O moleque acabou de chegar
Nessa cama é que eu quero sonhar
Amanhã bato a perna no mundo
É que o mundo é que é meu lugar

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Paulo Ró - DVD "A música em Si"

segunda


Canto de Pedra Preta

Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Baden Powell


Olô, pandeiro
Olô, viola
Olô, pandeiro
Olô, viola

Pandeiro não quer
Que eu sambe aqui
Viola não quer
Que eu vá embora

Olô, pandeiro
Olô, viola

Pandeiro quando toca
Faz Pedra Preta chegar
Viola quando toca
Faz Pedra Preta sambar

Pandeiro diz:
Pedra Preta não samba aqui não
A viola diz:
Pedra Preta não sai daqui, não

Pedra Preta diz:
Pandeiro tem que pandeirar
Pedra Preta diz:
Viola tem que violar

O galo no terreiro
Fora de hora cantou
Pandeiro foi-se embora
E Pedra Preta gritou

Olô, pandeiro
Olô, viola
Olô, pandeiro
Olô, viola

terça-feira, 17 de novembro de 2009

perfil

Jararaca

*

*

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Francisco Acioli e Dona Neuma moravam na zona rural da cidade de Serra Branca, interior da Paraíba, e viviam de agricultura no pequeno sítio “Taraquara”. Era uma propriedade de apenas dois hectares, onde plantavam macaxeira e criavam galinhas. Mesmo sendo uma região seca, suas terras era uma das poucas que tinha água. O casal teve apenas uma filha chamada “Aurora”, que nasceu no dia de São José. Quando adolescente casa-se com Antonio das Lembranças, um peregrino que vivia de vender muambas por onde passava. Ela vai embora com o marido e tem um filho, “João Pedro”.

Quando o filhou completou quatro anos eles voltaram a fazenda de seus pais para apresentar-lhes aquele pequeno garoto, era a razão de sua vida. Ao chegar descobrem que seus pais foram assassinados a mando do coronel “Mário Ferraz”, o qual tomou sua propriedade, havia dois poços naturais no pequeno sítio. Aurora vai até a fazenda do coronel e tenta falar com ele, não a recebe. Seu Marido a chama para ir embora, pois aquilo não tinha mais jeito. Ela prometeu pra si mesma que um dia ia voltar e acabar com aquela gente.

João completa dezenove anos e já carrega o mesmo ódio que a mãe guarda do coronel. Todas as noites ela contava historias sobre Seu Chico e Dona Neuma, assim o rapaz aprendeu a amá-los tanto quanto se os tivesse conhecido. Aurora e o filho voltam à fazenda do coronel Ferraz e vão vingar a morte de seus pais e tomar as terras de volta. Chegando lá foram recebidos a bala. Os Jagunços acertaram um tiro na perna da mulher e a estupraram na frente de João, depois atiraram na cabeça dela. O coronel apareceu e mandou que amarrassem o rapaz no tronco. Ele foi açoitado por Mário Ferraz até desmaiar. Os jagunços o largaram numa estrada.

Quando estava à beira da morte na estrada de terra foi encontrado por um bando de homens. Um deles o deu água e mandou que o lavassem e dessem roupas limpas para o rapaz. Quando tornou a si João estava debaixo de uma árvore e o homem que mandou limpá-lo se apresentou e perguntou o que havia acontecido. Ele contou. O homem não ficou impressionado e disse para João que se ele quisesse ficar com eles poderia só que teria de transformar esse ódio em força. João se juntou ao bando e foi embora.

Anos depois João torna-se líder do bando. Tinha passado dez anos de sua vida assaltando homens poderosos e fugindo da polícia. Foram tempos difíceis, mas para ele o que era a dor? Sua mãe foi morta na sua frente e ele não pode fazer nada. A vingança ainda morava no peito daquele que agora era o homem. O bando não era mais tão grande como na época em que o encontraram, contudo todos eram fiéis a João. Decidiu voltar para tomar as terras de sua família e matar o maldito coronel.

João não tinha mais medo da morte. A primeira pessoa que ele matou na vida foi um policial que por pouco não mata a pessoa que tinha o ensinado tudo. Não havia mais dor. Existia apenas um ódio imenso que queria descarregar no tal “Mário Ferraz”. Um dia seu nome deixou de ser João. Quando andavam numa mata o rapaz pisou numa cobra que o picou. Não quis matar a cobra e passou várias noites com febre e calafrios. O homem que o ensinara tudo passou a chamá-lo apenas de Jararaca. Os calos fizeram com que ele se tornasse uma pessoa de poucas palavras e frio.

Jararaca virou o líder do bando depois de uma emboscada dos macacos. Mataram o homem que tanto admirava e somente ele e mais sete homens sobreviveram à chacina. Desde então odeia a polícia tanto quanto a vontade de matar o coronel Ferraz.

O filho de Aurora quer voltar para a casa de seus avós, quer sua morada de volta. O lugar onde sua mãe passou a vida e aprendeu coisas sobre plantas e animais. Mas não estava mais lá a casa. Haviam queimado e ele viu apenas a árvore que sua mãe tanto falara. Nunca havia esquecido aquela planta. Ele e os sete ficaram no lugar por algum tempo e foram direto para a fazenda do tal coronel.

Havia um jagunço na cancela. Este levou um tiro no meio da testa e o bando entrou correndo e atirando no resto dos homens de confiança do coronel. Jararaca entrou pela porta da frente e procurou o coronel na casa. Ele estava deitado numa cama, parecia estar à beira da morte. Jararaca entrou no quarto, olhou bem nos olhos dele e disse:

- Eu sou a tua morte.

Atirou na cabeça do velho doente desprezível . O filho do coronel fugiu antes de ser morto e foi até a guarnição da polícia de Serra Branca. Quarenta macacos foram ao encontro de Jararaca.

Chegaram à fazenda já atirando nos homens do bando, não sobrou um. Apenas Jararaca tinha escapado e se embrenhou na mata. Seu coração não tinha mais a vingança só a dor por ter perdido aqueles que há tempos eram sua família. A polícia iria pagar por aquilo.


Thomas Freitas

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

segunda



*




Nas entrelinhas há de ter discernimento
e as metáforas serão
teu compasso dissonante




Tom


*

sábado, 14 de novembro de 2009

Talhado na memória

Foto: Gustavo Moura
Foto: Gustavo Moura



Essas Fotos foram retiradas na Serra do Talhado, aqui na Paraíba, pelo talentoso fotografo Gustavo Moura. Ontem na casa dele ele contou a nós que retirou as fotos a vinte cinco anos atrás e só agora vai expôr no IV Festival de Africaxé. O nome da exposição se chama "Talhado na memória".

A Serra do Talhado ficou famosa no Filme "Aruanda" do Cinemanovista Linduarte Noronha. É uma comunidade remanescente quilombola.

Confiram as outras fotos lá na Usina Cultural Energisa dias 19,20, 21/11 em João Pessoa-PB .


Tom

Correndo pra poder voar...





Boas palavras... alguns seres poderiam se tornar mais humanos se ouvissem um pouco disto.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os bichos que habitam minha cabeça....




Esse vídeo foi realizado por mim e outros companheiros da Universidade na disciplina de telecinejornalismo.

Fala sobre Dona Izilda, mulher que gasta cerca 1000 reais por mes de ração para os gatos que moram na UFPB, nas áreas do DECOM (departamento de comunicação) e o CCSA (Centro de Ciencias Sociais Aplicadas).

ahhhh A primeira gata que aparece no vídeo é a mãe de minha filha Ambrosie.

Quem faz coisas com o coração tem alma maior que o corpo.

abraços, espero q gostem


Tom